O CONHECIMENTO INDÍGENA É UMA MATÉRIA DECOLONIAL?

Autores

  • Izabelle Louise Monteiro Penha Faculdade Belas-Artes de Lisboa e Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes.

Palavras-chave:

Espitemologias, Conhecimento indígena, Estudos Indígenas, Estudos Decoloniais

Resumo

O artigo é uma versão reduzida do segundo capítulo da tese de doutoramento, intitulada “Encantaria e Imagem-espírito (utupë): uma docuficção com o povo indígena Tremembé.” O artigo problematiza acadêmica e cientificamente a construção histórica e social do conhecimento indígena, focando em minha experiência enquanto Tremembé. Entende-se que o conhecimento indígena se centra em seus modos de existência: cosmogonia, natureza, oralidade, memória e sonhos. Coloca-se como questão central a produção de conhecimento indígena, enquanto prática de memória coletiva. Questiona-se ainda se o conhecimento indígena pode ser considerado conhecimento decolonial indígena. Os Estudos Decoloniais apresentam uma grande contribuição às críticas ao colonialismo e neste presente trabalho analiso de que modo a colonização impôs práticas de conhecimento aos povos indígenas do Brasil. O conhecimento decolonial surge como resgate aos saberes dos povos indígenas e negros de Abya Yala, ao mesmo passo, que produzem táticas de resistência epistemológica. Observa-se uma influência dos Estudos Decoloniais em nossos saberes, mas o conhecimento indígena é marcado por sua própria agência de pensamento. A tradição dos nossos pensamentos é pautada pelo nosso território e pela passagem de conhecimentos de geração em geração. Os povos indígenas possuem sua própria subjetividade, que questiona ativamente âmbitos epistemológicos e políticos para a elaboração coletiva dos saberes originários de Abya Yala, por meio da memória, da oralidade e do sonho. Em suma, é a prática de reencantar o mundo.

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Publicado

2024-01-31

Como Citar

Monteiro Penha, I. L. (2024). O CONHECIMENTO INDÍGENA É UMA MATÉRIA DECOLONIAL?. Revista Brasileira De Estudos Do Lazer, 10(03), 133–146. Recuperado de https://www.periodicos.ufmg.br/index.php/rbel/article/view/48534